Letras

TURBULÊNCIA douglas dickel

(turbulência sempre assusta
mais assusta que ameaça)
turbulência sempre assusta
mas eu estou vivo como antes
sempre estarei (fim do susto)
fim da turbulência e o resto
da viagem é somente nuvens
e sensação de vôo

se o balanço das asas
não me é muito agradável
devo não vigiar as asas
eu estou vivo como antes
sempre estarei até o fim
das nossas respirações

MUTANTE douglas dickel

o sangue que corre dentro circula
quando uma nova referência é injetada
a fim de alimentar o organismo vivo
ela corre por todos os pontos da alma
e pode se dizer que é uma alma nova
ela corre por todos os pontos da alma
e pode se dizer que é uma alma nova
e pode se dizer que é uma alma nova

CHEGOU A VEZ douglas dickel (inspirado em joseph campbell)

chegou a vez de atravessar
o mar noturno onde nada é seguro
esse mundo desconhecido e novo
não tem nada a ver com as leis da razão
ah bem-aventurança

seguindo em frente vão aparecer
seres estranhos e elementos polimorfos
pode haver tormentas inimagináveis
mas também pode surgir o graal
ah bem-aventurança

(sem querer ele despencou
naqueles globos amarelos
sem querer esqueceu o beijo)

FOI ISSO douglas dickel

(teu sangue é laranja vibrante
a paixão é intensa e instante)

e não foram os teus póros
e não foram os teus pulsos
e não foram os teus pés
e não foram os teus sons

não foram os pêlos do teu braço
não foram os ombros do teu

tronco e não foi a tua saliva
(foi a tua cor)

PELICANOS douglas dickel

pelicanos
precisam de espaço
pra reproduzir
a bolsa no bico
do pelicano
serve pra carregar
alimento

PÁRA bruno galera

a soma da luz te espera naquela
rua comum que cega a janela
então espera só espera

fecha a cortina solta o vestido
tinge o passado alívio infinito
e não pára só pára

traz um pedaço do pessimismo
corta com a faca de compromisso
e não cega só cega